«Não posso permitir a propagação de ofensas em torno da SAD do Ac. Viseu»

9 out 2025, 13:32
Mariano Lopez é o novo presidente do Académico de Viseu (FOTO: Ac. Viseu)

Mariano López visou os adeptos críticos do projeto iniciado em 2022/23 e que aponta à Liga

Uma vitória em sete jornadas da II Liga reforçou o coro crítico em torno da gestão de Mariano López. E nem a saída do treinador Sérgio Vieira – rendido por Sérgio Fonseca – apaziguou os adeptos dos “Viriatos”. Por isso, o presidente da SAD escreveu uma carta aberta, visando aqueles que o insultam.

«Decidimos a mudança de treinador após um início de época desportiva que assumimos aquém das expectativas. Contudo, não muda a exigência nem o compromisso com a continuidade deste projeto de subida — absolutamente profissionalizado, que não implode ao sabor dos resultados. É, aliás, por isso que este projeto já é uma referência no país: porque veio para ficar. Não termina com a desilusão de um jogo, de uma época, nem de duas nem três. Nem sequer terminará quando conquistarmos a tão desejada subida de divisão.»

«Não posso permitir que se tente construir, sobretudo em torno da SAD, (…) qualquer ambiente negativo, de propagação de ofensas, ruído e mentira – algo que ultrapassa largamente a crítica e a desilusão normais no futebol», escreveu o dirigente espanhol.

Na presidência da SAD do Académico desde 2022/23, Mariano López, de 63 anos, viu o clube alcançar o quarto, 11.º e 10.º lugar, com os treinadores Jorge Costa, Pedro Ribeiro, Pedro Bessa, Jorge Simão, Vítor Martins, Gil Oliveira, Rui Ferreira e Sérgio Veira.

Em 2025/26, além de competir na Taça de Portugal, o Ac. Viseu ocupa o 15.º posto da II Liga, o primeiro acima dos lugares de despromoção. Os “Viriatos” levam seis pontos, um de vantagem sobre o Paços de Ferreira (16.º) e a oito do Marítimo (3.º).

Leia, na íntegra, a carta aberta de Mariano López. 

«Caros amigos academistas,

Na sequência da recente decisão de mudança da equipa técnica do Académico, quero partilhar convosco uma mensagem de responsabilidade, de exigência e de compromisso. Estou seguro de que serei compreendido.

Com a responsabilidade de quem deve liderar, decidimos a mudança de treinador após um início de época desportiva que assumimos aquém das expectativas. É assim em futebol. Contudo, não muda a nossa exigência nem o compromisso com a continuidade deste projeto de subida — um projeto absolutamente profissionalizado, que não implode ao sabor dos resultados. É, aliás, por isso que este projeto já é uma referência no país: porque veio para ficar. Não termina com a desilusão de um jogo, de uma época, nem de duas nem três. Nem sequer terminará quando conquistarmos a tão desejada subida de divisão. Porque esta é a nossa exigência, e este é o nosso compromisso: estar onde o clube e a região merecem!

Academistas,

Sabemos o que é a pressão natural do futebol - conhecemo-la da Alemanha ao Brasil - e por isso recusamos qualquer gestão ao sabor de um certo ambiente tóxico que tem proliferado. Ceder a isso é característica dos inseguros, dos desfocados e dos desprevenidos. Com a mesma serenidade com que enfrentamos o desafio de subida no Académico, sem obsessão, observamos agora o percurso ascendente dos nossos parceiros do Barra FC. O que muda? Nada, porque o rumo está definido.

Creio poder dizer, com toda a justiça, que a missão que assumimos no Académico — e cujo investimento e esforço têm ido muito além do futebol profissional (veja-se o trabalho e os resultados na formação; veja-se o apoio ao Clube; veja-se a disponibilidade para investir nas infraestruturas fundamentais, assim nos deixem fazer muito mais...) — é reconhecida pela generalidade dos academistas.

Quero também sublinhar o papel essencial dos nossos patrocinadores e parceiros, cuja confiança e compromisso têm sido pilares decisivos neste caminho. São empresas e instituições que acreditam no Académico e que partilham connosco a visão de um projeto sólido, ambicioso e profundamente ligado à cidade e à região. O seu apoio não se mede apenas em contributos financeiros. Mede-se, sobretudo, na forma como se envolvem, promovem e dignificam o nome do nosso Académico. A todos eles, a minha mais profunda gratidão e o compromisso de continuar a honrar esta confiança com trabalho, seriedade e resultados.

É por isso que a minha revolta é maior. Porque não posso permitir que se tente construir, sobretudo em torno da SAD, dos seus profissionais, atletas, staff e demais colaboradores, qualquer ambiente negativo, de propagação de ofensas, ruído e mentira — algo que ultrapassa largamente a crítica e a desilusão normais no futebol.

Recuso em absoluto esse ambiente, porque, está visto, não se compagina com a responsabilidade, a exigência e o compromisso do nosso projeto. Nem com os valores das pessoas que o representam — em particular o nosso investidor! Recuso em absoluto esse ambiente, também, porque só prejudica a nossa equipa.

Ao mesmo tempo, apelo aos verdadeiros valores desportivos, do apoio, da união e do respeito, que são fundamento da identidade academista, e partilhados pela larga maioria de sócios e adeptos. São esses valores que subscrevo aqui, e que continuarei a defender, junto das pessoas que tanto gosto de encontrar, nas ruas de Viseu ou no nosso Fontelo, sempre com a mesma tranquilidade, seja em dias de derrota ou de vitória. Ou seja, depois, no dia da subida.»

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