Ainda a habituar-se aos hábitos, vocabulário, frio e fuso horário de Portugal, o filho do Imperador Adriano está entusiasmado com a oportunidade de crescer na Académica. Ao Maisfutebol, o avançado revela os momentos que marcaram o primeiro mês em Coimbra - PARTE III
A viver o segundo mês em Portugal, o filho do "Imperador" Adriano aproveita os momentos de descanso para conhecer Coimbra, de onde perspetiva o futuro. Aos 18 anos, o ponta de lança revela-se surpreso pela tranquilidade do novo país e assina declarações de amor à cidade dos estudantes e ao Porto.
Ainda que discreto, Adrianinho não passa despercebido ao olhar dos mais atentos. Em conversa com o Maisfutebol, a escassos metros da margem do Mondego, o avançado desvenda a rotina pela Briosa, os objetivos pela Secção de Futebol da Associação Académica de Coimbra (AAC/SF) e a ambição de crescer.
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Parte I – Filho do Imperador Adriano desponta em Coimbra: «Figo confirmou que é o passo certo»
Parte II – Adrianinho e o incentivo do Imperador: «Estou em Portugal graças à minha batalha»
Maisfutebol: Como têm sido as primeiras semanas em Coimbra?
Adrianinho: Tem sido uma experiência muito boa. Não tenho palavras para agradecer à Académica. Todos me acolheram, nunca me deixam sozinho. A adaptação está a correr bem porque estou em família. Se preciso de algo, basta uma chamada.
MF: Por agora joga nos juniores, que procuram o regresso à 2.ª Nacional. Quanto aos seniores, competem pelo regresso ao Campeonato de Portugal.
AD: Nos juniores jogamos ao sábado, então ao domingo consigo acompanhar os jogos dos seniores. Os meus primeiros jogos foram desafiantes, mas estou a gostar muito.
MF: Já esteve no Estádio Cidade Coimbra, onde a AAC/OAF [Organismo Autónomo de Futebol] compete na Liga 3?
AD: Fui uma vez, em visita. Não tem a dimensão dos estádios brasileiros, mas a estrutura é maravilhosa. Honestamente, não esperava que fosse tão bonito, tão grande e com tanta história. Vai muito para lá do que imaginava. Já conheci a universidade, é diferente daquilo a que estava habituado. Em Coimbra, os edifícios são antigos por fora, mas estão completamente renovados no interior. E quando vejo os estudantes trajados? Parece que entrei num filme do Harry Potter. Até contei a uma das minhas irmãs. Ficou fascinada.
MF: (…)
AD: Já passei dois dias em Lisboa, conheci um pouco da cidade e o Estádio da Luz, é maravilhoso. Tenho o sonho de assistir a um jogo da Liga dos Campeões. Há uns dias estive no Porto, uma cidade diferente, mais bonita do que Lisboa. Tenho família no Porto – pessoas que são como família – cuidaram de mim em Itália. Não os via há mais de cinco anos. Fiquei apaixonado pelo Porto. Tenho de voltar para visitar o Estádio do Dragão.
MF: Está rendido a Portugal?
AD: A tranquilidade é surpreendente. É um país com muitos turistas, mas pacífico. Numa hora de almoço estava a olhar para o [rio] Douro, sozinho e tranquilo, algo que não acontece no Brasil.
MF: A maioria dos jogadores da AAC/SF jogam e estudam. Há planos para progredir nessa vertente?
AD: Por agora o foco está no futebol, mas o ensino é muito importante para o futuro desportivo e pessoal. Faço intenção de investir na minha formação.
MF: Como é a rotina em Coimbra?
AD: No Brasil estava habituado a treinar todos os dias. Na AAC/SF treinamos três vezes por semana. Então aproveito para investir o tempo no trabalho de ginásio, acompanhado por um elemento da equipa técnica, horas antes da sessão em grupo. Depois do treino, procuro melhorar a finalização e as movimentações. Fora do futebol, gosto de caminhadas, mas está difícil, por causa do frio e da chuva. E ainda me estou a habituar ao fuso horário, são três horas de diferença.
MF: (...)
AD: Brinco com o mister porque Coimbra é uma cidade pequena, mas grande. Há sempre algo para conhecer. À noite, depois do treino, gosto de passear pela baixa, junto ao rio [Mondego]. E estou ali tranquilo, sem problema. Fico sem palavras. Até liguei para os meus pais. Eram 23 horas, à minha volta havia famílias e grupos de amigos. A minha mãe ficou fascinada. Já vi os bilhetes dos voos para a família conseguir um desconto. Nunca estiveram em Portugal.
MF: E, por cá, as pessoas apercebem-se de que é o filho do "Imperador" Adriano?
AD: Há uns dias estive no Fórum de Coimbra, para almoçar. Queria pedir fiambre, mas disse "presunto”. E um senhor respondeu-me: «É brasileiro? É filho do Adriano?». Era outro brasileiro – também do Rio de Janeiro – reconheceu-me de imediato. Parou tudo e puxou do telemóvel para tirar uma fotografia. E depois recebi uma aula de vocabulário de Portugal. As diferenças vão muito para lá das palavras. Por exemplo, os portugueses têm o hábito de dar uma “palmada” na cara para dar os parabéns por algo. Quando fiz o meu primeiro golo pela Académica, de penálti, um colega [português] deu-me uma “tapa” na cara. Fiquei confuso! Pensei que ele não gostava de mim. Depois explicaram-me que era uma forma carinhosa de dar os parabéns.
