Escândalo em França: funcionários de escolas públicas investigados por violência e abusos sexuais de alunos

CNN Portugal , TFR
25 mai, 11:36
Mães reúnem-se em frente à Câmara Municipal de Paris para protestar contra o abuso sexual de crianças por parte de funcionários de escolas e centros de acolhimento pós-escolar. Fotografia: Amaury Cornu/Hans Lucas/AFP/Getty Images
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Entre as acusações reportadas por pais em todo o país estão gritos, agressões físicas, puxões de cabelo, privação de comida, imposição de ingestão até ao vómito e abusos sexuais

França está a enfrentar um escândalo de abuso infantil de grandes proporções e que está a chocar o país, com assistentes de dezenas de escolas públicas de ensino pré-escolar e primário sob investigação por suspeitas de violência e abuso sexual de crianças.

A polícia de Paris está a analisar mais de 100 denúncias de maus-tratos, violência física e abuso sexual de menores com idades a partir dos três anos, alegadamente ocorridos durante os períodos de almoço, sestas e atividades pós-letivas.

A procuradora de Paris, Laure Beccuau, confirmou que estão em curso investigações em 84 jardins de infância, cerca de 20 escolas primárias e aproximadamente 10 creches.

Os assistentes escolares em França são responsáveis por supervisionar as crianças durante as refeições, os recreios, as sestas e as atividades após as aulas. Estes não são contratados diretamente pelas escolas ou pelo Ministério da Educação, sendo recrutados pelas autarquias locais, frequentemente sem formação específica ou diplomas profissionais e cada vez mais em regime precário e pago à hora.

Barka Zerouali, cofundadora do coletivo #MeTooEcole, ao centro, a discursar numa conferência de imprensa em frente à Câmara Municipal de Paris. (Amaury Cornu/Hans Lucas/AFP/Getty Images)

Segundo o The Guardian, entre as acusações reportadas pelos pais estão gritos, agressões físicas, puxões de cabelo, privação de comida, imposição de ingestão até ao vómito e abusos sexuais

“É um escândalo de grandes proporções”, afirmou Florian Lastelle, advogado de três famílias parisienses que apresentaram queixa à polícia por alegados abusos contra os seus filhos. “O sistema escolar público é motivo de orgulho neste país, mas, infelizmente, na França de hoje não é possível afirmar que o serviço público garanta a segurança das crianças”, acrescentou.

Só em Paris, entre janeiro e abril deste ano, 78 assistentes escolares foram suspensos, incluindo 31 por suspeitas de abuso sexual.

Em resposta, o novo presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, lançou um plano de 20 milhões de euros para combater o que descreve como “disfunções graves” no sistema. Enquanto isso, associações de pais afirmam que o problema é sistémico e nacional, denunciando falhas estruturais, falta de transparência e uma cultura de silêncio que, segundo dizem, continua a pôr crianças em risco.

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