Abusos começaram na pandemia
A Polícia Judiciária deteve, em Lisboa, os pais e o irmão de uma menina menor por abuso sexual. Os abusos, perpetrados pelo irmão da menina, começaram durante a pandemia e mantiveram-se até dezembro de 2025.
Em comunicado, a PJ adianta que as três pessoas são suspeitas da prática de vários crimes de abuso sexual de crianças e de abuso sexual de menor dependente ou em situação particularmente vulnerável agravado, sobre uma menor de 16 anos.
"No seio de uma família aparentemente estruturada, composta pelo casal e dois filhos, com idades próximas, ocorreram inúmeros crimes sexuais, ao longo de cinco anos. Durante a infância, os filhos do casal, um menino e uma menina, conviveram naturalmente como irmãos. Na altura do confinamento, devido à pandemia por covid-19, quando a menina tinha apenas 10 anos, o irmão de 14 começa a sujeitá-la a práticas sexuais, contra a sua vontade, abusos que se replicaram ao longo do tempo", lê-se na nota.
A menor viria a contar aos pais os abusos quando tinha 12 anos, "mas estes conformaram-se com a situação e não cumpriram com o seu dever legal de protege-la e impedir as agressões, que perduraram até dezembro de 2025".
"A menina cresceu em contexto de abuso sexual intrafamiliar, sofreu em silêncio e, aos 16 anos, apresenta consequências diretas ao nível da sua saúde mental. Os crimes acabariam por ser descobertos na escola, que denunciou a suspeita diretamente à Polícia Judiciária", acrescenta a nota.
A PJ dá ainda conta que as diligências investigatórias tiveram "especial enfoque na proteção da vítima" e culminaram com a detenção dos três autores dos crimes, tendo ainda sido "reolhidas provas da prática dos crimes diretamente pelo irmão e, indiretamente pelos pais, que tinham capacidade efetiva de evitar as sucessivas agressões".
Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das adequadas medidas de coação.