Um em cada três hospitais públicos não realiza abortos. Cenário piora no interior

9 jun, 07:54
Ambiente hospitalar em tempos de pandemia

REVISTA DE IMPRENSA. Há distritos inteiros sem acesso à consulta de interrupção voluntária da gravidez e, no caso do interior e das ilhas, as mulheres chegam a ter de percorrer centenas de quilómetros para conseguir aceder ao serviço de saúde

O acesso ao aborto em Portugal não está acessível da mesma forma para todas as mulheres. De acordo com o jornal Expresso, que cita dados da Direção-Geral da Saúde (DGS), um em cada três hospitais públicos não tem consulta de interrupção voluntária da gravidez (IVG), ou seja, em 45 hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), 13 não fazem abortos.

A maioria destes hospitais fica localizado no interior do país, obrigando as mulheres que precisem de recorrer a este serviço a fazer centenas de quilómetros para se deslocarem a outra unidade de saúde.

Segundo o Expresso, a consulta de interrupção voluntária da gravidez escasseia de Beja a Portalegre o que faz com as mulheres tenham de se dirigir a Lisboa ou a Faro, no Algarve. A Norte, o mapa está mais preenchido, havendo apenas um hospital em 14 sem o serviço. Na zona centro, não há serviço das Caldas da Rainha até Leiria, acontecendo o mesmo no interior centro. O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) recebe mulheres do distrito, mas também de Leiria, das Caldas da Rainha, de Aveiro, de Viseu e da Guarda. E, acima de Coimbra, só existe Aveiro que, segundo a coordenadora dos CHUC, tem resposta reduzida.

Também na capital, há zonas sem resposta o que leva as mulheres a saltarem entre unidades de saúde ou a serem encaminhadas para os hospitais privados. É o caso de Cascais, Setúbal e Amadora-Sintra. Segundo o semanário, dos hospitais da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, 6 em 13 não têm consulta de IVG.

Já no arquipélago dos Açores, só o Hospital da Horta, na ilha do Faial, tem consulta de IVG, mas esta depende da "deslocação e disponibilidade de um médico especialista". No caso do médico não estar disponível, as mulheres serão encaminhadas "para uma unidade privada de saúde localizada em território continental”, explica o Expresso.

Em declarações ao jornal, médicos deste serviço explicam que os números dos abortos diminuíram ao longo dos últimos 15 anos, mas isso não é reflexo de um sistema melhor. E, afirmam, é preciso discutir sobre a extensão destas consultas nos centros de saúde, em articulação com os hospitais, até porque muitas mulheres portuguesas continuam a passar a fronteira para procurar ajuda em Espanha.

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