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"Se não trabalhar, como é que a sustento?" A história da mãe detida por deixar a filha de quatro anos sozinha

TVI , MM
27 fev 2023, 15:37
(Foto Cláudia Lima da Costa)

Fugiu da Colômbia para dar uma vida melhor à criança, mas a sua vida não tem sido fácil em Madrid

Há uma semana, uma mãe era notícia em Espanha depois de ter deixado a filha de quatro anos sozinha para ir trabalhar. A colombiana, de 23 anos, foi detida por abandono de menor e por estar ilegal no país. A menina foi entregue a uma instituição. Mas quem é esta mulher? Qual é a sua história?

Em 2019, Catalina Delgado (nome fictício atribuído pelo El País) fugiu das ameaças dos cartéis da droga da Colômbia, com dois irmãos e a filha, que se recusou deixar para trás. Não quis cometer o mesmo erro da mãe, que abandonou os filhos. Mas, desde que aterrou em Madrid, a sua vida não tem sido fácil. Pediu asilo, que lhe foi negado, e trabalhou no que foi encontrando.

Delgado lamenta o que aconteceu no dia em que foi detida e sente-se envergonhada pelo que foi “obrigada” a fazer, mas fica revoltada com a imagem passada. Não consegue aceitar que a acusem de abandono e de ser má mãe: “Dói-me muito que digam isso. Não me conhecem. Não é verdade. Disseram também que a minha filha não comia há horas. De onde tiraram isso?”

Nesse dia, todas as pessoas que são o seu suporte não conseguiram auxiliá-la e ficar com a filha. Depois de ter faltado ao trabalho para cuidar da menina, que esteve doente, Delgado não podia correr o risco de perder o emprego no bar: “Tive de ir trabalhar. Se não trabalhar, como é que a sustento? Criei-a sozinha. Tudo o que fiz na minha vida foi por ela.”

Mas pior do que o julgamento de quem não a conhece, é a culpa que sente (e as perguntas da filha). “Porque é que me deixaste sozinha naquela noite”, questionou a menina, na primeira vez em que falaram. Catalina Delgado não sabe como responder. “Tudo é para ela”, lembrando que foi para Espanha para “dar um futuro melhor” à filha.

Delgado conta que deu o jantar à menina, colocou vários brinquedos à volta da cama e deixou o telemóvel ligado perto dela, para conseguir falar com a filha e controlar a situação à distância. Saiu de casa às 22:30, deixando a pequena a dormir, na esperança de encontrá-la na mesma posição quando regressasse às quatro da manhã. Depois dormiria algumas horas, antes de levar a menina à escola. Teve de fazê-lo “apenas uma vez antes” e confiava que, tal como dessa vez, voltaria e a menina ainda estaria a dormir.

Por volta da meia-noite de dia 16 de fevereiro, o choro da criança incomodou uma vizinha, que chamou a polícia. Segundo as autoridades, foi a menina que lhes abriu a porta, mas a mãe diz que isso não é possível e que terá sido um dos colegas de casa a fazê-lo.

Através do telemóvel que Delgado tinha deixado, a polícia contactou o namorado, que está em Londres, e este, por sua vez, falou com o dono do bar onde ela estava a trabalhar. “Ninguém me explicou o que estava a acontecer até chegar à esquadra”, conta, explicando que achava que a visita das autoridades estaria relacionada com os irmãos e não com a filha.

A idosa de quem cuidava morreu no final do ano e ela mudou-se para a casa que o namorado divide com dois paquistaneses. Quando o companheiro partiu para Londres, o senhorio baixou a renda em 50 euros. Passou a pagar 350 pelo quarto. Para pagar as contas, arranjou trabalho num bar. “Era o que havia”, justifica, acrescentando que ganhava cerca de 900 euros por mês – dependendo dos dias em que ia e das gorjetas que recebia.

Quatro dias antes de ser detida, descobriu que estava grávida de cinco meses. Viu o bebé pela primeira vez quando fez uma ecografia durante a detenção. Não estava nos planos engravidar, mas um medicamento que tomou pode ter cortado o efeito da pílula.

Enquanto o tribunal não toma uma decisão, Delgado pode ver a filha uma vez por semana, embora possa falar com ela ao telefone diariamente.

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